Reflexão Final


Esta Unidade Curricular permitiu-me fazer reflexões profundas sobre questões que fazem parte do dia-a-dia escolar e que se prendem com situações de âmbito relacional, quer seja entre pares ou entre outros elementos da comunidade educativa.
O processo reflexivo iniciou-se logo com a leitura e aceitação do Contrato de Aprendizagem que me levou a analisar a pertinência dos diferentes temas propostos. Seguiu-se a discussão sobre o Portfólio, as suas características, pertinência e relevância para este contexto. É um facto que o Portfólio se reveste de extrema importância no processo de ensino-aprendizagem, sendo considerado uma mais-valia enquanto promotor da autonomia dos alunos e como regulador dos processos. Embora já tivesse utilizado este tipo de instrumento, quer enquanto formanda de uma ação de formação sobre o tema, intitulada “Portfólio em Línguas Estrangeiras”, na modalidade de Oficina de Formação, com a duração de 36 horas, quer com os meus alunos, como forma de avaliação do seu desempenho, foi a primeira vez que o fiz em suporte digital e utilizando o blog para o efeito.
O e-portfolio tem vindo a ganhar um reconhecimento cada vez maior na comunidade educativa como instrumento promotor da autonomia na construção do conhecimento e em alternativa ao suporte em papel. Devo dizer, no entanto, que senti algumas dificuldades na criação do blog, o que fez com que me atrasasse um pouco na publicação dos trabalhos e das reflexões. Gradualmente, após várias pesquisas sobre o assunto, e através da partilha com os restantes colegas desta unidade curricular, fui percebendo o seu funcionamento e fui concretizando as ações propostas e melhorando outras já publicadas, processo de aprendizagem bastante lento mas que me faz sentir orgulhosa pelas competências que fui conseguindo adquirir ao longo do tempo. A estrutura foi sofrendo algumas alterações e acabei por organizar o Blog por páginas, de acordo com as temáticas em estudo, incluindo ainda uma reflexão final e os recursos utilizados ao longo do processo de aprendizagem. Era minha intenção criar subdivisões dentro de cada página, no entanto, não o consegui fazer, assim como me vi impedida de publicar documentos em PDF ou produzidos noutro formato.
Assim, não posso deixar de referir que a estrutura e design que utilizei, e que foi sendo alterado, está longe daquilo que idealizei inicialmente e do qual tomei consciência seria muito difícil, se não impossível, de implementar através de um Blog. Ou será esta minha perspetiva fruto de alguma ignorância ainda existente quanto às potencialidades deste tipo de instrumento?
Dentro de cada unidade temática, o procedimento foi idêntico. Iniciei o estudo do tema com as leituras propostas pela professora e outras pesquisas bibliográficas, algumas delas efetuadas através da internet, e das quais registei as ideias principais. Não posso deixar de registar o agrado sentido pela leitura da obra de Costa e Matos, “Abordagem Sistémica do Conflito”, livro que já tenho aconselhado a colegas da escola, pela forma clara e precisa como aborda o tema. Deixo aqui também uma proposta de leitura bastante interessante, de Jesús Mª Nieto Gil, “Como evitar e superar o stress docente. Estratégias para controlar situações de conflito nas salas de aula, obra publicada em 2009 e que foi a minha leitura de férias do verão passado.
A partir das leituras efetuadas, com a partilha diária em fórum, fui adquirindo novas visões de uma mesma problemática, factos que me levaram, por vezes, a adquirir uma nova perspetiva sobre as questões em análise. Nesta sequência, desenvolvi breves reflexões sobre os temas em estudo, tendo em consideração, além da bibliografia consultada e as participações dos colegas, ainda a minha experiência enquanto docente e Representante do Ministério da Educação na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Arouca.
De todas as unidades temáticas abordadas, sem querer sobrevalorizar umas em detrimento de outras, saliento as duas últimas, pelo facto de terem permitido aprofundar temáticas que estão muito estritamente ligadas ao contexto escolar, nomeadamente no que diz respeito ao papel do professor tutor, enquanto elemento orientador do percurso que o aluno deve seguir, e o Bullying, problemática cada vez mais recorrente no dia-a-dia dos nossos alunos e à qual nem sempre se consegue dar resposta da forma mais célere e transformadora dos comportamentos indesejáveis.
Embora o meu domínio destes temas fosse já bastante sustentado, fruto de diversas formações feitas na área, das quais saliento o Curso de Mediação Escolar: pela Cidadania e Convivência na Escola”, com a duração de 25 horas e “A mediação em contexto escolar: uma proposta para a prevenção e resolução de conflitos”, ambas dinamizadas pela Dr.ª Elisabete Pinto da Costa, as novas pesquisas e leituras efetuadas, associado à partilha permanente nos fóruns com novas visões sobre um mesmo problema, permitiram-me alargar a minha visão sobre o assunto e pensar em novas respostas para os desafios que a escola de hoje tem de enfrentar.
O trabalho de grupo realizado sobre o bullying, foi também bastante enriquecedor na medida em que exigiu uma maior partilha de conhecimentos e uma reflexão aprofundada sobre uma situação em concreto. A produção do PowerPoint exigiu que centrássemos a atenção nos aspetos essenciais da problemática embora tenha consciência de que a situação em análise poderia ter sido mais aprofundada no produto final.
Gostaria de realçar a importância do debate à volta da figura do professor tutor cujo papel vai adquirindo cada vez mais relevo na maioria dos estabelecimentos de ensino. Foi bastante curioso perceber as diferenças que existem de escola para escola, conhecer dinâmicas bastantes interessantes e promotoras de sucesso. Continuam, no entanto, a existir problemas no desenvolvimento das tarefas de tutoria, trabalho que geralmente se centra na escola quando na maioria dos casos, os problemas estão enraizados fora da escola. A comunicação escola-família não é ainda a suficiente e daí o insucesso da maioria das situações de que sou conhecedora.
Relativamente ao projeto de intervenção a elaborar, inicialmente pensei em centrar a atenção na mediação de conflitos, pelo facto de já ter desenvolvido o papel de mediadora e possuir bastante documentação sobre o tema, o que simplificaria a minha tarefa, no entanto, tomei outra opção. Dado o crescente número de situações de indisciplina que vêm ocorrendo em sala de aula, resolvi centrar a minha atenção neste contexto. Embora o projeto esteja ainda numa fase embrionária, pretendo refletir mais profunda sobre as questões que estão subjacentes a esta problemática e propor um plano de intervenção que possa contribuir para minimizar estas ocorrências.
Em jeito de conclusão, gostaria de referir que desenvolvi todas as tarefas previstas para esta unidade curricular com grande interesse e satisfação. Esta é uma área que me atrai particularmente pela importância que tem em contexto escolar e que, no meu entender, nem sempre é devidamente valorizada.
Sendo a escola um local de interações por excelência, será fundamental termos consciência da importância do papel de cada um na criação de ambientes saudáveis e propícios à construção de uma comunicação sem conflituosidade, positiva e eficaz. E é aí que entra o papel de todos os professores e educadores: contribuir para um clima escolar onde os alunos se sintam “emocionalmente apoiados pelos seus professores” para desenvolverem uma “melhor auto-estima, mais motivação e empatia, mais interações prossociais, estratégias mais construtivas de resolução de problemas sociais e conflitos, referindo que gostam mais da escola (Costa e Matos, 2006:55). Muller, Katz e Dance (1999) referem mesmo que os jovens “(…) investem mais na relação com aqueles professores que mostram que se preocupam com eles, têm elevadas expectativas quanto ao seu desempenho e são capazes de fornecer estrutura” (idem, ibidem:56).

Costa, M. E. e Matos, P. M. (2007). Abordagem Sistémica do Conflito. Lisboa: Universidade Aberta.