3. Agentes, intencionalidades e contextos educativos: uma abordagem dialógica das interacções.

Tutoria – Reflexão
Hoje em dia, de facto, já não se consegue pensar a escola sem integrarmos uma figura que adquire um papel de relevo na vida do aluno, o professor tutor. Este educador deverá promover ações que ajudem a integração do aluno no contexto escolar, ajustando os seus comportamentos, expectativas e relações interpessoais, partindo de um conhecimento aprofundado da realidade escolar e familiar da criança ou jovem.
Obviamente, considerando a dificuldade que todos sentimos em trabalhar algumas realidades sociais e comportamentais, será importante o professor ser detentor de algumas características que possam contribuir para mais facilmente trabalhar as principais problemáticas. Será assim, desejável que o professor tutor tenha facilidade de relacionamento com os alunos e famílias, que tenha capacidade de negociação e mediação para poder intervir em situações de risco, conflito, mantendo sempre uma postura de flexibilidade mas ao mesmo tempo de coerência e persistência.
Conscientes da importância destas características pessoais do professor tutor, este, por si só, dificilmente conseguirá a mudança necessária. Terá de haver um comprometimento por parte do aluno o que não se conseguirá se ele próprio não tiver um papel ativo neste processo e que passará, numa primeira fase, pela definição dos objetivos a atingir e desenvolvendo continuamente no aluno o sentimento de agente de aprendizagem e de consequente mudança.
Mas poderemos limitar a intervenção a estes dois intervenientes (professor tutor e aluno)? Serão eles suficientes para a promoção da mudança? Sabendo nós que o contexto escolar é bastante mais alargado e feito de permanente interações com os pares, professores da turma e intervenção das famílias, não poderemos deixar estes elementos de fora. Caberá ao professor tutor desenvolver estratégias de articulação com o grupo de amigos, colegas e professores da turma, diretor de turma e, em paralelo, com a respetiva família. Só numa ação concertada com todos os intervenientes e a colaboração dos mesmos será possível conseguir a mudança desejável.
Obviamente este trabalho exige uma disponibilidade que a maioria das escolas não consegue proporcionar por falta de recursos, o que acaba por inviabilizar ou dificultar bastante o desenvolvimento de todo o processo.