2. Abordagem comunicativa das relações interpessoais: Interaccionismo simbólico; Escola de Palo Alto

Reflexão
É um facto que toda a relação humana é um ato social que implica uma atividade conjunta e recíproca em que somos sistematicamente afetados pela presença do outro. Nada existe isoladamente e somos o fruto de todas as interações que vivemos no dia-a-dia e é neste sentido que a comunicação é considerada fundamental para a compreensão das relações e para a a qual a Escola de Palo Alto “deu um contributo importante com o desenvolvimento da pragmática da comunicação face a face” centrada “no estudo dos efeitos da comunicação ao nível dos comportamentos”. Bateson (1981) e Watzlawick et al (1972) referem que “a melhor forma de compreender um sistema (seja a escola, seja a família, ou outros) é através da análise dos seus padrões de comunicação analógica (não verbal e desprovida de código semântico) e digital (codificada e essencialmente verbal) entre os seus membros” (cit. por Costa e Matos, 2007:22). Importa aqui salientar a importância desta comunicação analógica que é facilmente “absorvida” pelos alunos, isto é, todo o comportamento transmite uma mensagem, quer sejam atitudes, gestos, expressões e formas de estar, ou mesmo o próprio silêncio, todos fazem parte da simbologia que caracteriza o ser humano e que interferem nas relações interpessoais.
Em contexto de sala de aula, embora considere as quatro máximas definidas por Grice importantes para o princípio da cooperação, será fundamental refletirmos mais profundamente sobre a forma como interagimos com os alunos. Tendo presente que “Ninguém, e muito menos os adolescentes, se sente confortável perante comentários públicos invasores da sua privacidade e que atinjam a sua auto-estima” (Costa e Matos, 2007:33), a falta de sensibilidade para abordar certos assuntos poderá ser interiorizada como uma ameaça ao diálogo construtivo e conduzir a atitudes de auto-defesa condicionadoras de interações futuras. A abertura a um diálogo construtivo, baseado na compreensão do outro, sem precisar de concordar com o mesmo (idem, p.34) e a utilização de estratégias que “obrigue os questionados a descentrar-se de si próprios e a refletir sobre o impacto que as suas palavras tiveram nos outros e, finalmente, o que as palavras dos outros provocaram em si próprio” (idem, p.35), parece ser o caminho a seguir para se conseguir as mudanças mais desejáveis. 
O interacionismo simbólico, por seu lado, com origem na psicologia social e na sociologia, é uma corrente de pensamento que analisa as interações baseadas na simbologia individual considerando que é ela que dá um sentido à acção individual. De acordo com Blumer, há 3 premissas básicas que importa ter aqui presente: o ser humano age em relação às coisas com base no sentido que elas adquirem para ele; o sentido do indivíduo em relação ao mundo provém das interações sociais estabelecidas com os outros; os sentidos do indivíduo são modificados através de um processo interpretativo em função das vivências de cada um.
Em contexto escolar, as interações fazem parte do dia-a-dia dos alunos e professores e é em função das vivências de cada um e da forma como interpretamos as ações dos outros, que vamos adquirindo uma simbologia própria, ou seja vamos interpretando a realidade à nossa volta, utilizando uma simbologia que servirá de referência para a nossa ação. Com o tempo, os significados podem sofrer alterações e é neste sentido que o papel do professor adquire relevância, principalmente quando a simbologia que os alunos têm interiorizada não é a mais saudável para o seu desenvolvimento integral. Esta mudança pode ser conseguida através do diálogo, se considerarmos o verdadeiro sentido da palavra e não a comunicação unilateral. Tal como Costa e Matos (2007:32) referem “A maioria das pessoas comunica com monólogos, ouvindo-se a si próprios não usufruindo deste jogo criativo que é a comunicação. O diálogo é que permite a construção e reconstrução de significados”.
Foi, de facto, Costa e Matos, na sua obra Abordagem Sistémica do Conflito, que me alertaram para importância das referências que temos interiorizadas dentro de nós e a partir das quais construímos a nossa comunicação com os alunos, esquecendo, por vezes, que as referências pelas quais os alunos se regem são diferentes das nossas, o que implica, frequentemente distorções na comunicação. Será, assim, importante desenvolvermos a capacidade reflexiva, sobre a nossa ação e a dos outros, de forma a mais facilmente desenvolvermos o diálogo e conseguirmos o equilíbrio nas relações interpessoais, ou seja, para promovermos uma relação saudável com o outro. Acrescento e termino com a opinião de Tavares sobre este assunto
 “(…) as relações interpessoais deverão ser reflexivas, flexíveis, resilientes por natureza pelo que a resiliência deverá ser considerada não apenas como um dos pontos de convergência do desenvolvimento pessoal e social das pessoas, mas também como um fator de equilíbrio interior e exterior dos sujeitos (…) ou seja, (…) tudo circula em um diálogo intrapessoal ajustado, normal, que é condição sine qua non para um normal funcionamento das relações interpessoais e da sua qualidade”. (in Alarcão, 2001:59-60)
Alarcão, I. (Org.) (2001). Escola Reflexiva e nova Racionalidade”, Porto Alegre: Artmed Editora
Costa, M., Matos, P. (2006), Abordagem Sistémica do Conflito, Lisboa: Universidade Aberta
Griffin, E. (2006). A First Look at Communication Theory. McGraw-Hill (6ª ed.), retirado de  http://www.afirstlook.com/main.cfm