O mundo em que vivemos, cada vez mais global, impõe algumas exigências que condicionam o nosso dia-a-dia e a forma como nos relacionamos com os outros. É neste sentido que os conceitos de afiliação, aceitação, reciprocidade, interdependência e rejeição fazem parte do quotidiano de qualquer pessoa e ajudam a construir a sua personalidade e a desenvolver a estabilidade emocional de cada um.
O ser humano é um ser social, que vive em comunidade, sendo detentor de uma necessidade latente de se associar aos seus semelhantes para satisfazer as suas necessidades comunicativas, de socialização e de construção de laços. É esta necessidade de interação e partilha que define a formação de grupos sociais e é responsável pelo processo de afiliação. Este processo é facilmente identificável nos grupos que se juntam para partilhar ideias, brincar, praticar desporto ou mesmo para a definição de objetivos profissionais.
Para McClelland (1982), a necessidade de afiliação é uma motivação importante por permitir atenuar os efeitos negativos das necessidades de poder e de realização que quando são uma obsessão, pode suscitar problemas de saúde física e mental. “A capacidade de cuidar dos outros e ter alguém que cuide de nós pode contrabalançar certos efeitos negativos de uma sociedade em que poder e realização ocupam um lugar proeminente” (Neto, 2000:146)
Em contexto escolar, espaço de socialização privilegiado onde as relações interpessoais são permanentes, a afiliação é visível através da formação de grupos dentro da escola ou mesmo dentro da própria turma. Este é o caso da turma CEF de 12º Ano em que este grupo de alunos, oriundo de diferentes turmas em anos anteriores e com quem criaram laços de vinculação, não estão muito recetivos aos novos colegas, acabando por se formar grupos que não interagem de uma forma saudável entre si.
O ser humano é um ser social, que vive em comunidade, sendo detentor de uma necessidade latente de se associar aos seus semelhantes para satisfazer as suas necessidades comunicativas, de socialização e de construção de laços. É esta necessidade de interação e partilha que define a formação de grupos sociais e é responsável pelo processo de afiliação. Este processo é facilmente identificável nos grupos que se juntam para partilhar ideias, brincar, praticar desporto ou mesmo para a definição de objetivos profissionais.
Para McClelland (1982), a necessidade de afiliação é uma motivação importante por permitir atenuar os efeitos negativos das necessidades de poder e de realização que quando são uma obsessão, pode suscitar problemas de saúde física e mental. “A capacidade de cuidar dos outros e ter alguém que cuide de nós pode contrabalançar certos efeitos negativos de uma sociedade em que poder e realização ocupam um lugar proeminente” (Neto, 2000:146)
Em contexto escolar, espaço de socialização privilegiado onde as relações interpessoais são permanentes, a afiliação é visível através da formação de grupos dentro da escola ou mesmo dentro da própria turma. Este é o caso da turma CEF de 12º Ano em que este grupo de alunos, oriundo de diferentes turmas em anos anteriores e com quem criaram laços de vinculação, não estão muito recetivos aos novos colegas, acabando por se formar grupos que não interagem de uma forma saudável entre si.
Situação de Aceitação
Não há dois indivíduos exactamente semelhantes, mesmo quando dispõem dum genótipo idêntico. Cada indivíduo detém, portanto, como traço constitutivo de individualidade, pelo menos uma minúscula mas irrefagável diferença que o torna original no meio dos seus congéneres.” (…) A nossa personalidade resulta da fusão do que é inato com a experiência do mundo, é formada “de aspectos íntimos e de aspectos exteriores, ou seja, a partir do cruzamento dos dados da consciência com aquilo que, do mundo, nos afecta” (Barros Dias, 2004:90).
É de facto importante termos consciência que cada indivíduo tem as suas características específicas e sermos capazes de aceitar essas diferenças. Esta tomada de consciência contribuirá, certamente, para uma melhoria das relações interpessoais.
Como exemplo de aceitação, refiro o caso do Manuel, nome fictício, aluno do 12º ano, bastante tímido mas muito cumpridor das suas responsabilidades escolares. Nos trabalhos de grupo, acabava por ser ele a concretizar a maior parte das tarefas, sem reclamar, porque os seus colegas se acomodavam à preguiça e se demitiam das suas obrigações. O Manuel foi aguentando a pressão e o excesso de trabalho a que estava sujeito, até que um dia, no início de uma aula em que iriam realizar um trabalho de grupo, saiu disparado da sala, fazendo sentir que algo não estava bem. Após um diálogo com o encarregado de educação e o próprio aluno, percebi a origem do seu desconforto e frustração. Os colegas, por seu lado, inicialmente não compreenderam a atitude do colega, alegando que este nunca se tinha queixado da dinâmica criada dentro do grupo de trabalho, no entanto, após uma reflexão conjunta sobre o assunto, acabaram por aceitar o seu comportamento como fruto de um temperamento construido ao longo de todo o seu percurso escolar e que não seria possível transformar de um dia para o outro.
Situação de Reciprocidade
“Em psicologia social, reciprocidade refere-se a responder uma ação positiva com outra ação positiva, e responder uma ação negativa com outra negativa” (Wikipédia).
Há estudos que revelam uma associação significativa entre “aspetos comportamentais e motivacionais do ajustamento à sala de aula e as percepções dos alunos quanto à justiça das expectativas dos professores, quanto ao modo como o professor dá atenção e responde a necessidades individuais e quanto ao modo como o professor manifesta o seu carinho e preocupação pelos alunos" (Wenzel, 1997, cit. Costa e Matos, 2007:55)
Os aluno referem ainda que “(…) investem mais na relação com aqueles professores que mostram que se preocupam com eles, têm elevadas expectativas quanto ao seu desempenho” (Muller, Katz e Dance, 1999, cit.Costa e Matos, 2007:56). Assim, se o aluno sentir que professor acredita nele e cria expectativas positivas relativamente ao seu desempenho, este irá esforçar-se por corresponder a essas expectativas.
O mesmo acontece na relação inter-pares. Recordo como exemplo a situação dos alunos que estão mais à-vontade com alguns conteúdos ou disciplinas e se disponibilizam para apoiar os seus colegas que apresentam algumas dificuldades nessa área. Estes alunos que são apoiados tornam-se eles próprios disponíveis para retribuir a ajuda em contextos que se sintam mais confiantes.
Situação de Interdependência
Interdependência é um conceito que rege as relações entre os indivíduos onde, um único indivíduo é capaz de, através de seus atos, causar efeitos positivos e/ou negativos, em toda a sociedade. Ao mesmo tempo, esse mesmo indivíduo, por sua vez, é influenciado pelo todo. Com isso, é possível dizer que todas as pessoas e coisas que rodeiam a vida dos seres humanos estão interligadas e afetam a vida de todos de forma significativa. (Wikipédia)
Para Costa e Matos “(…) as experiências vividas na interação com os outros contribuem para a construção da identidade, para a definição de si na relação com o mundo. Progressivamente a criança e o jovem, para além de experimentarem diferentes papéis, vão igualmente tentando articular e integrar as múltiplas visões e expectativas que os outros lhes devolvem num todo coerente e consistente ao longo do tempo” (2007:53).
Em contexto escolar existe uma interdependência permanente no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, em que as ações se interligam e causam efeitos de reciprocidade. Esta interdependência é visível em várias situações no contexto escolar, principalmente no trabalho inter-pares.
Situação de Rejeição.
Em contexto escolar são constantes as situações de rejeição entre os alunos. Sendo nós conhecedores do impacto negativo que tem o factor rejeição no desenvolvimento dos alunos, competirá ao professor estar atento aos problemas que vão surgindo em contexto escolar fruto da formação de grupos, da aceitação de uns e rejeição de outros. Se estes problemas não forem devidamente abordados pelos profissionais da educação, de forma a eliminar a origem da rejeição, certamente haverá danos para o desenvolvimento das crianças e jovens que se refletirá no seu insucesso escolar.
Quando os pais ou professores reagem negativamente aos comportamentos das crianças, não as ajudam “a lideram com as suas dificuldades e, nomeadamente, com os sentimentos de frustração, fracasso e desilusão que, muitas vezes, aparecem associados ao insucesso nas tarefas escolares. Neste sentido, a probabilidade de a criança ir internalizando um modelo negativo acerca de si própria é elevada, com os conhecidos efeitos ao nível do autoconceito e da auto-estima: A criança não só sabe que se porta mal e que faz mal as coisas, mas sobretudo julga que é uma má pessoa e que não gostam dela.” (Costa e Matos, 2006:59)
Será, assim, fundamental, “a criação de relações emocionalmente seguras, que apoiem a construção progressiva do aprender mas também do ser na relação com os outros” (ibidem), competindo à família e aos professores o desenvolvimento desse papel de primordial importância.
